Estádio Nicolau Alayon, uma surpresa em São Paulo

Publicado por Fernanda de Lima em

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Durante a minha caça aos estádios da cidade de São Paulo – são só nove oficiais na capital, acredita? -, visitei o Estádio Nicolau Alayon, conhecido de muitos como Comendador Sousa, nome da rua onde está localizado.

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Quando comecei minha pesquisa prévia à visita, vi muita gente com um carinho especial pelo estádio e falando bem de sua estrutura, e realmente foi uma grata surpresa em São Paulo. O estádio Nicolau Alayon era o último estádio da capital que faltava visitar, o que fechou essa trajetória com chave de ouro.

O estádio fica próximo ao Allianz Parque e ao Pacaembu e de frente para a maior rivalidade de Centros de Treinamento do Brasil. Do outro lado da avenida de uma das entradas para o Nicolau Alayon estão os CTs de São Paulo e Palmeiras. O Nicolau Alayon tem capacidade máxima – quando liberada – para 10.117 pessoas.

Os Centros de Treinamento de São Paulo e Palmeiras lado a lado em frente ao Nicolau Alayon

Nicolau Alayon é o estádio do Nacional

O estádio foi inaugurado em 15 de maio de 1938 com a partida entre São Paulo Railway e Corinthians. O alvinegro venceu o time da ferrovia por 2 a 1.

São Paulo Railway foi o primeiro nome do Nacional Atlético Clube, um dos clubes pioneiro da história do futebol brasileiro. Apesar de a origem do futebol no Brasil ainda ser contestada, muitos historiadores e pesquisadores acreditam que o esporte mais amado do país tenha se iniciado com os funcionários da companhia inglesa São Paulo Railway, entre eles Charles Miller, considerado o “pai do futebol”. Falando nisso, aqui tem um texto sobre o piquenique que fiz no estádio mais antigo do Brasil e que também tem relação com o time da ferrovia.

O São Paulo Railway nasceu em 1919 e mudou de nome em 1946, ano da concessão e nacionalização da ferrovia e da estrada, respectivamente. O clube seguiu a mudança. Numa partida contra o Flamengo, num tempo jogou como SPR e no outro como Nacional Atlético Clube – NAC, dando início a uma nova era do clube.

Independente do nome, uma coisa é fato, o Nacional é um dos clubes mais tradicionais do futebol paulista, sendo um dos fundadores da Federação Paulista de Futebol, e seu estádio, um dos mais aconchegantes.

Estádio Nicolau Alayon
Vista das arquibancadas para as dependências do clube

Passado e futuro

O estádio é um bom motivo para visitar o Nicolau Alayon, mas não o único para muitos paulistanos que frequentam o clube. Juntos, estádio e clube formam um respeitável complexo esportivo, com diversas quadras, campos, piscinas e muitas áreas esportivas e de lazer.

Foi no Nicolau Alayon que me deparei pela primeira vez com o contraste gritante entre a capital paulista e um futebol nostálgico. Sua estrutura é semelhante a pequenos do futebol italiano – apesar da maior proximidade com o lado inglês da bola.

O clube segue o mesmo processo num misto do passado e do futuro, o que me fez lembrar de um trecho do livro “O que é lazer”, de Luiz O. Lima Camargo, publicado em 1986:

À medida que os povoados crescem, o poder público sente empiricamente a necessidade de construir centros especializados para a prática de lazer. A pressão de uma prática cultural diluída sensibiliza os políticos para a necessidade de criação de um espaço nobre para a sua prática de assistência.
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O estádio de futebol vem, quase sempre, em primeiro lugar. ⠀⠀

Contraste entre o passado e o futuro, com a tribuna à moda antiga e os condomínios modernos
Banheiro feminino do estádio
Troféus do Nacional guardados numa salinha dentro do estádio

O que aproveitar no estádio

Com certeza digo que você tem de aproveitar um jogo de futebol no Nicolau Alayon. É realmente muito agradável acompanhar uma partida por lá. Compre ingresso direto na bilheteria do estádio, que fica logo à direita da entrada pela Rua Comendador Sousa ou seguindo reto se entrar pela Av. Marquês de São Vicente.

Recomendo que você entre pela Marquês de São Vicente para passar em frente aos CTs de Palmeiras e São Paulo. De qualquer forma, ao entrar para o estádio, você não terá como ignorar a entrada pela Comendador Sousa. Saia para a rua e dê uma boa olhada nessa fachada histórica, assim como na pequena rua, possivelmente a mais famosa do bairro.

Dependendo do horário que chegar ao estádio, pode pedir para conhecer a parte social do clube e ter uma visão posterior da estrutura da arquibancada. O Nacional disputa atualmente a Série A3 do Campeonato Paulista, além da Copa Paulista, e para jogos, o ingresso custa R$ 20, com opção de meia-entrada (preço de 2019) e só é aceito dinheiro, nada de cartão como meio de pagamento. Então, vá prevenido. No entanto, o boteco logo antes de passar o portão para as arquibancadas, sim, aceita cartão. E tem cerveja gelada.

Se não puder ir em dia de jogo, não tem problema. O estádio Nicolau Alayon fica aberto em horário comercial durante a semana e o dia todo durante o fim de semana, porque campos e quadras, assim como churrasqueiras, são alugados. Como o estádio fica dentro do clube, sem entrada separada, acaba ficando aberto também. Confirmei, inclusive com a assessoria de imprensa do Nacional, esta informação.

Ah! Eu não poderia esquecer. Se sair do Nacional Atlético Clube no final da tarde, não deixe de dar a volta para o lado direito do estádio. Seguindo a Av. Marquês de São Vicente, entre na primeira rua à direita e vá até a curva, dali é possível avistar um por do sol incrível com vista para as arquibancadas do clube.

Para fechar com chave de ouro
Nicolau Alayon | Foto: Fernanda de Lima / Guia dos Estádios
Céu azul realça as cores do Nacional e deixa o estádio mais bonito
Passeie pelo clube para descobrir novos ângulos do estádio
Nacional Atlético Clube

Você ouvirá cada vez mais sobre o Nicolau Alayon

Não só achei o Nicolau Alayon incrível pela sua mistura entre o passado e o futuro, mas também por sua receptividade. Estádios menores, apesar de não serem abertos ao turismo como as grandes arenas, são muito mais acessíveis e podem oferecer uma experiência bem bacana também. Acredito que com o alto preço dos ingressos na elite do futebol brasileiro e a intolerância e violência que têm afastado os torcedores do estádio, os pequenos tendem a crescer com a presença de curiosos e apaixonados por futebol.

Como eu 🙂

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Fernanda de Lima

Jornalista. Especializada em Jornalismo Esportivo e Negócios do Esporte e estudante de Educação Física. Hoje, escrevo sobre turismo e estádios no Guia dos Estádios. Vem comigo?

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